Ritmo:

Fandango

FANDANGO . No litoral do Paraná e de São Paulo, o fandango é um gênero musical e coreográfico fortemente associado ao modo de vida da população caiçara. Sua prática sempre esteve vinculada à organização de trabalhos coletivos – mutirões, puxirões ou pixiruns – nos roçados, nas colheitas, nas puxadas de rede ou na construção de benfeitorias, onde o organizador oferecia, como pagamento aos ajudantes voluntários, um fandango, espécie de baile com comida farta. Para além dos mutirões, o fandango era a principal diversão e momento de socialização das comunidades caiçaras, estando presente em diversas festas religiosas, batizados, casamentos e, especialmente, no carnaval, quando os quatro dias de festa eram realizados ao som dos instrumentos do fandango.

O fandango caiçara possui uma estrutura bastante complexa, envolvendo diversas formas de execução de instrumentos musicais, melodias, versos e coreografias. A formação instrumental básica do fandango normalmente é composta por dois tocadores de viola, que cantam as melodias em intervalos de terças, um tocador de rabeca, chamado de rabequista ou rabequeiro, e um tocador de adufo ou adufe. Cada forma musical, definida pelos mestres violeiros, é chamada de marca ou moda, dependendo da região, e possui toques e danças específicas, que se dividem, basicamente, em duas categorias: os valsados ou bailados – dançados em pares por homens e mulheres, com ou sem coreografias específicas – e os batidos ou rufados. Nos batidos, os homens utilizam tamancos feitos de madeira resistente, como canela ou laranjeira, intercalando palmas e tamanqueando no assoalho de madeira, de acordo com a marca ou moda executada.

Por influência açoriana, a comida típica do fandango era o barreado, prato típico preparado a base de carne, toucinho e vários temperos. De preparo demorado, o cozimento leva cerca de 20 horas em fogo brando. Utiliza-se uma panela de barro, sendo que a tampa deve ser vedada, ou barreada de onde vem o nome do prato, com uma mistura de farinha de mandioca, cinzas e água quente. Uma vez pronto o prato é servido num pirão feito com farinha de mandioca, acompanhado de laranja, banana e arroz.

Em 2011 o Fandango será agraciado, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional como o primeiro bem imaterial do sul do Brasil por suas características particulares das culturas que colonizaram as regiões do litoral sul paulista e paranaense[1].

História - Fandango

FANDANGO. Surge no Barroco, na Península Ibérica. Em 1770, os imigrantes portugueses trouxeram para o Brasil este ritmo, originalmente dançado nos bailes da corte. Consiste em um conjunto de danças cantadas, acompanhadas pela viola e pelo adufo (espécie de pandeiro, feito artesanalmente). Ao longo do tempo, adquiriu várias significações. Nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e São Paulo tem um objetivo festeiro. As pessoas se reúnem para um baile, festa, momento de bailar danças regionais. Neste sentido, teria origem nas chamadas fiestas gauchescas, de repúblicas da região do Prata. Em São Paulo, o termo pode designar também tanto uma dança próxima da Catira (ou Cateretê), quanto a da Chula (esta encontrada no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Nordeste). Em alguns estados das regiões Norte e Nordeste, é a dança dramática dos marujos – marujada ou Barca. Na Paraíba, Ceará e Bahia, é chamado de Barca. Para o Fandango, auto popular com temáticas variadas, convergem cantigas brasileiras e xácaras portuguesas. A equipe da Biblioteca de Ritmos registrou a ocorrência desta manifestação cultural no Paraná.

Características - Fandango

Fandango é uma dança em pares conhecida em Espanha e Portugal desde o período Barroco caracterizada por movimentos vivos e agitados, com certo ar de exibicionismo, em ritmo de 3/4, muito frequentemente acompanhada de sapateado ou castanholas e seguindo um ciclo de acordes característico (lá menor, sol maior, fá maior, mi menor).

Dados sobre Fandango

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