Ritmos

A pesquisa nunca termina, na realidade. Documentar um ritmo, na realidade não existe. O que podemos fazer é chegar o mais próximo possível de suas raízes. Mostrar várias nuances para que o expectador possa sentir mais do que aprender sobre de que trata esse ritmo. Tem vezes que é a dança pela dança, em outras a dança para o Santo. Em outras é comunidade e ainda em outras é disputa. Veja todos os vídeos e relatos sobre os ritmos. Sinta seu próprio aprendizado. Estamos sempre em fase de pesquisa. Novos vídeos e podcasts continuarão chegando para acrescentar conteúdo aos assuntos estudados.
Esses são os Ritmos documentados até agora. Divirta-se.

Angola

Ritmo de entrada no ritual de Angola, é lento e imponente. Aqui demonstrado pelo mestre Itapuã Beiramar.

Arrebate

O Arrebate é um ritmo cadenciado, geralmente associado ao começo das sessões. Executado no Candomblé, nação de Angola.

Baião

O Baião é o ritmo do Brasil. Uma das células musicais mais utilizadas pelos ritmos brasileiros. Diz-se que era dançado já nas festas do império.

Banguela

Outro ritmo usado por Mestre Bimba em seu ritual. Ritmo mais arrastado, dá uma cadência mais amena, usada para um jogo mais próximo.

Barravento

O Barravento é um ritmo quente, talvez o mais quente dos ritmos executados no Candomblé, na nação de Angola. Aqui exemplificado no Gam (ou Gã), Rum, Rum Pi e Lé. Ou Agogô e os três tambores que entremeiam a batida do Barravento.

Cabula

O Cabúla e um dos ritmos executados no Candomblé, na nação de Angola. O campo de ritmos de santo é riquíssimo e tem diversos toques em diferentes nações.

Calango Mineiro

O Calango Mineiro tem uma levada gostosa, em 2/4, que muito pouco ou nada tem a ver com o Calango tradicional. Tem também o "Desafio", mas tem a parte cantada, acompanhada dos instrumentos de percussão como o Pandeiro e a Timba, já sendo muito mesclado com a "modernidade", para podermos ser precisos quanto a instrumentação original. Usa-se também a Viola ou o Violão, o Cavaquinho e a Sanfona.

Cana Verde

A Cana Verde é consideranda uma "miudeza" nos fandangos do Litoral Norte de São Paulo. Mas no Vale do Paraíba é considerada um ritmo a parte. Conheci há algum tempo atrás o finado Zé Mira, de São José dos Campos. Fica a promessa de conhecer a Fundação Cultural de lá e saber um pouco mais sobre esse ritmo raro.

Candombe

O Candombe é um ritmo encontrado no interior de Minas Gerais e em alguns lugares do centro-oeste brasileiro. Ritmo reservado e pouco divulgado, o Candombe do Açude é tocado com três "tambús" feitos de tronco de Saboeiro e uma caixa batuqueira. Uma vez que o toque começa é quase impossível encerra-lo.

Catira

A Catira é uma dança sapateada, típica do interior do Brasil. Minas, Goiás, alguns lugares do Mato Grosso.... Uma dança que uns dizem vir da Europa, alguns colocam no caldo elementos indígenas, outros até citam a Oceania como fonte de origem. Mas uma coisa é certa: é um ritmo cativante e envolvente, e, quando bem dançado, remete até ao dançar da península ibérica, como as danças espanholas. Tire suas próprias conclusões.

Choro

O Choro pode ser considerado uma herança da Polca. Posteriormente "abrasileirado", passa a ser uma espécie de "primo"distante do samba, recebendo inclusive o pandeiro como forma de ligação com o ritmo.

Ciranda

A Ciranda se modifica ao longo do Brasil. Temos a ciranda nordestina, mais lenta e cadenciada e temos a ciranda feita no litoral norte de SP, que é diferente, fazendo parte dos fandangos sapateados e valsados. Tocada também com o "adufo", pandeiro artesanal e com as violas, a Ciranda ainda será tema de muito estudo aqui na Biblioteca de Ritmos.

Côco

O Côco é um ritmo do nordeste do Brasil com várias variações. O repente ainda é um assunto a ser tratado aqui pela Biblioteca de Ritmos.

Congada

A Congada é um cortejo em homenagem aos reis negros africanos. Se dá em várias áreas do Brasil. No caso, a Congada de Santa Ifigênia, de Mogi das Cruzes (SP) utiliza o surdo, um repinique chamado cortadeira, tarol, chocalho e bastões. É dividida em três ritmos principais: a Marcha Dobrada, Marcha Lenta (Grave) e a Marcha Picada. É um ritmo forte, de origem africana, muito presente na base da nossa música atual.

Congo

O Congo é um dos ritmos executados no Candomblé, na nação de Angola. O campo de ritmos de santo é riquíssimo e tem diversos toques em diferentes nações.

Congo de Ouro

Variação um pouco mais rápida do Congo, executada no Candomblé da nação de Angola.

Fandango

Chama-se de Fandango um conjunto de danças bailadas e sapateadas e de toques de viola diferentes, marcando diversos tipos de "bailados" e "miudezas". Aqui estudamos o ritmo mais fiel, percussivo, tentando, aos poucos, inserir as modalidades de viola. Um Fandango tem um ritmo bem específico, marcado pelo adufo, espécie de precursor do pandeiro, e por diversos "batidos" de viola. Na realidade dezenas de batidos de viola. E ganha nomes diferentes ao longo da costa brasileira. Anu, Passeado, Tonta, Tontinha, Chamarrita de 8, de 12... Continuamos nossa pesquisa, que já passou pelo Paraná, Rio de Janeiro e Litoral Norte de São Paulo.

Folia de Reis

A Folia de Reis é um festejo de origem européia e é ligado as comemorações do nascimento de Jesus, sendo realizado, geralmente, entre os dias 24 de dezembro a 6 de janeiro (dia de reis).

Folia do Divino

A Folia do Divino é um festejo popular, oriundo de Portugal, no qual grupos armados de violas, rabecas, tambores e outros instrumentos, tendo a frente a bandeira do Divino Espírito Santo, expressada pela pomba branca de asas abertas, saem pelas ruas pedindo esmolas para a comemoração da festa do dia do Santo.

Ijexá

O Ijexá é um ritmo mais conhecido do brasileiro. Malicioso e envolvente, nos é aqui exemplificado através do Candomblé da nação de Angola.

Iúna

Belíssimo ritmo tocado na Capoeira, introduzido por Mestre Bimba, o Iúna é um ritmo tido também como fúnebre ou de apresentação dos mais graduados. Vale conferir.

Jongo

O Jongo é um ritmo afrodescendente, trazido ao Brasil junto com os escravos Bantos, seu toque é marcado por dois tambores, somente: o Tambú e o Candongueiro.

Maracatú

O Maracatú é um ritmo quente, que do nordeste do Brasil ganhou o mundo, pela beleza de suas antigas nações e pelo arrojo da música de Chico Science.

Partido Alto

O Partido Alto é uma modalidade do Samba criado nos morros cariocas. Acompanhe a nossa vídeo aula sobre o seu mais importante instrumento: o pandeiro.

Quebrado

Variação um pouco mais lenta do Barravento. Ambos ritmos tocados no Candomblé da nação de Angola.

Samba

O Samba é um dos ritmos mais famosos do Brasil. É originario da mistura de várias heranças. Vem do Jongo, Maxixe, Lundú e, alguns dizem, leva até o xote nessa mistura.

Samba de Lenço

O Samba de Lenço é uma manifestação do samba, mais lenta, encontrada em São Paulo. Os instrumentos utilizados são o bumbo (surdo), a caixa de guerra e o chocalho. Envolve também a dança, na qual as mulheres passam o lenço e escolhem o seu par. Tipo raríssimo de manifestação popular, quase extinto.

Samba de Roda

O Samba de Roda é um ritmo envolvente, muito dançado na Bahia. Descendente direto das danças de umbigada, é um ritmo afro-descendente forte a arrebatador.

Samba Funk

O Samba Funk mistura, como o nome diz, o Samba e o Funk, ritmo americano. É um ritmo mais moderno, no qual se adequa o Samba ao formato 4/4, incorporando o Pop na levada binária.

São Bento Grande

O ritmo de São Bento Grande é utilizado na capoeira de Mestre Bimba. Ritmo mais forte, é usado em larga escala na capoeira brasileira.

São Bento Pequeno

São Bento Pequeno é um ritmo cadenciado e intenso. Ritmo tocado durante mais tempo no ritual da capoeira brasileira, foi introduzido por Mestre Bimba no Brasil.

São Gonçalo

O toque de viola de São Gonçalo é estimulante. Suas festas só são feitas no intuito de pagar uma promessa ou no dia do santo. É tarefa árdua, sem poder arredar o pé de uma danca de dura mais de quatro horas. É tarefa sagrada.

Sató

O Sató é um ritmo pouco difundido no Candomblé de Angola, mas, entretanto, existente. Aqui, exemplificado com os instrumentos consagrados: Gam (Gã), Rum, Rum Pi, e o Lé. Ou o Agogô e os três tambores que dividem a tarefa de unificar o toque especial do Sató.

Xiba

Xiba (ou Chiba), além de um toque é o começo de um baile, de um Fandango, de um Cateretê. Dependendo do lugar a nomenclatura muda. O Xiba tem uma movimentação pesada e é o primeiro passo. Depois é tocada a Marrafa e após esse bailado vem as miudezas, a Ciranda, a Cana Verde.

Xote

O Xote é um ritmo binário, muito executado no nordeste brasileiro, mas que ganhou alcance nacional e hoje é tocado de norte a sul. Não se sabe ao certo sua origem, que, dizem, ser até inglesa, seu nome sendo uma corruptela do inglês "scottish". Nesse exemplo do percussionista André Siqueira, ele é apresentado na zabumba. Tradicionalmente ainda acompanham esse instrumento o triângulo e a sanfona.